LÍDER SERVIDOR SÓ NO
MOSTEIRO: SOBRE A VERDADEIRA ESSÊNCIA DA LIDERANÇA
No mosteiro, a essência da liderança pode ser servir
conforme o que é desenvolvido no best-seller de James C.
Hunter: O Monge e o Executivo. A estrutura organizacional é estática
e secular, os objetivos e a missão estão definidos e não
mudam nunca e o foco pode ser basicamente interno. Não há
necessidades de se preocupar com a sobrevivência da empresa,
com o posicionamento no mercado, com as ameaças da concorrência,
com a busca contínua de oportunidades e com o desenvolvimento
de novas tecnologias. Assim, não é preciso que se entenda a
organização como um sistema sócio/técnico que está em contínua
transformação e interação com o meio ambiente e não tem
relevância a afirmação de Jack Welch: “Se o nível de mudança
interno está abaixo do nível de mudança externo, o colapso é
iminente”.
Em verdade, a essência da liderança está baseada em
dois pilares: 1) Lucidez, discernimento e qualidade de decisão
e 2) competência para executar e produzir resultados. Sem
lucidez e qualidade de tomada de decisão, o resto é o resto.
Mas também não adianta lucidez e qualidade de decisão sem a
capacidade de agir e fazer acontecer. Existem líderes que têm
estas qualidades, como Louis Gerstner que foi CEO da IBM a
partir de 1993 e em nove anos salvou empresa da ruína. Mas também
existem líderes que foram demitidos ou forçados a se aposentar
e a razão não teve nada a ver com o fato de serem ou não
servidores, mas porque não conseguiram os resultados esperados.
Em 2000, por exemplo, foram demitidos ou aposentados cerca de 40
CEOs de empresas da lista da Fortune
500. E eram empresas como Compaq, Gillette, Hewlett-Packard,
Xerox e Motorola. Estas pessoas foram conduzidas à liderança
em função de decisões e escolhas baseadas em parâmetros
equivocados. Eram pessoas sedutoras, ou tinham presença
dominante e grande capacidade de comunicação, ou se mostravam
como líderes natos. Em suma, superficialidades, aparências e
jogos de cena. Mas não tinham o fundamental: lucidez, qualidade
de decisão e capacidade de realização
Para que se evitem equívocos desta natureza é essencial
uma compreensão holística de tudo o que contribui para o
sucesso. Entre os principais determinantes, de acordo com Ram
Charan, estão: 1) posicionar e reposicionar a empresa, 2)
detectar mudanças externas e colocar a empresa na ofensiva, 3)
conduzir e desenvolver o sistema social, 4) avaliar pessoas, 5)
formar equipes, 6) elaborar metas, 7) estabelecer prioridades
precisas e 8) fazer face às pressões sociais.
Que
as pessoas são importantes está fora de questão, mas daí a
concluir que o líder deve ser um servidor, vai uma longa
diferença. Também deve ser constatado que está havendo uma
mudança na natureza do trabalho, com a passagem do homem máquina,
ou trabalhador “levanta parede”, cujo principal ativo é a
força física, para o trabalhador do conhecimento, cujo
principal ativo passa a ser a capacidade de pensar, criar e
decidir com qualidade para poder agir. Com o trabalhador
“levanta parede” é possível o chamado gestor feitor. Mas
com o trabalhador do conhecimento, sem adesão, comprometimento
e motivação não se vai muito longe.
Em suma, se você quiser ser a alegria da concorrência ou
ficar entre os líderes que foram demitidos ou forçados a se
aposentar, é simples: basta ser um líder servidor. Mas com
certeza, ninguém nunca lhe dirá: “ Sua empresa foi à
bancarrota, mas você foi um excelente líder servidor. Parabéns!”
(Reprodução
permitida, desde que mencionada a fonte e o livro Negociação
Total 13a. Edição)